DIVINA SIMPLICIDADE DIVINAL
O Òrìṣà habita na
simplicidade…
Não é nos grandes
e suntuosos axós, de elaborados bordados de rechilieu, nas imensas cabeças adornadas com panos e paramentas, no brilho dos
keles, deloguns ou jóias que Òrìṣà se manifesta.
Não é na nobre
vidraria, na exótica porcelana, no ostentoso vasilhame, folheados a
ouro ou prata que Òrìṣà se encontra vivo.
Não é nas grandes
pilastras, no requintado piso de mármore, dos salões faraônicos e
ostentosos que Òrìṣà se mostra.
Não é nas
autoridades e nas personalidades importantes que virão no toque,
xirê ou na festa que o Òrìṣà irá chegar, tomar e dançar.
O Òrìṣà habita
num simples e singelo okúta(pedra de seicho) a qual é encantada e
imantada, tornando-se um receptáculo das energias da natureza,
recebendo do Orun(céu) e do Universo através de Olorun (Deus
Criador) vibrações transformadoras na vida dos viventes.
O Òrìṣà tem uma
divina simplicidade, pois desce do Orun para dançar descalço junto
aos seus, para confortar, cantar, ouvir, falar, chorar as angústias
e as dificuldades e rir de alegria com os seus omo(filhos).
Em sua infinita
grandeza, divide com a comunidade a sua sabedoria e as suas oferendas
com os seus ofertantes, concedendo seu aṣẹ́(força) pela simples
devoção que lhe é dada.
O Òrìṣà habita
o mundo, a natureza, está no ar, nas folhas, nas águas doces,
salobras e salgadas, na lama primordial, está no fogo, nos campos,
nas montanhas, e faz sua morada no orí e na pedra de seicho, pequena
e simples com seu formato e com toda a sua sapiência.
Por RamãoDeOxalá.