domingo, 19 de janeiro de 2025

tempo

 


O Tempo!

És um senhor tão bonito / Quanto a cara do meu filho/Tempo, tempo, tempo, tempo[!] Composição: Caetano Veloso.

Há um ditado iorubá que diz: "Exu matou um pássaro ontem com uma pedra que só jogou hoje", este provérbio mítico é carregado de simbolismos e nos traz reflexões sobre o tempo, o espaço, a espiritualidade, a memória e à ancestralidade.

Pedindo agô/licença a Èṣù/Exú/Aluvaiá/PomboNjila/Elegua/Eleegbara, senhores de todos os caminhos, considerados o “oluwá onà”, o dono das encruzilhadas, o “elebó”, senhor do “ebó”, a boca que tudo come, a deidade que abre, principia os caminhos, instaura as possibilidades, desencadeia as oportunidades, o senhor do movimento e da comunicação.

Desmistificando ainda mais este ditado, ele traz significados de que o esférico Èṣù/Exú:

... é o princípio, a força motriz de Olorun, o qual não tem começo, nem meio e nem fim.

... em seus poderes e em seus mistérios ele atravessa o tempo. 

...nos ensina que as ações novas e melhores de hoje podem reinventar o passado.

... nos orienta de que as lições e acontecimentos pretéritos são recursos a serem resgatados e refletidos. 

...nos inspira que é sábio reconhecer e recuperar o conhecimento ancestral para compreender, entender e melhorar o presente e poder prospectar o futuro.

Èṣù/Exú é a esfera que não tem início nem fim, o giro, o movimento que elabora todas as oportunidades. A divindade que deu forças aos antepassados para lutar e resistir contra a intolerância, mantendo a cultura, os dogmas, os costumes e os fundamentos semeados pelos nossos mais velhos, que devem ser colhidos e cultivados por nós.

Èṣù/Exú é o Orixá interlocutor entre Orun/Aiyê, o sagrado mensageiro dentre os demais Orixás, sem Èṣù/Exú o Orun não nos vê, não nos percebe e não nos ouve.

Vale muito referenciar Èṣù/Exú e lembrar sempre que ele é o senhor de todos os caminhos, de todos mesmo! Ele é capaz de reinventar lugares e memórias, ensinando a reinterpretar o que passou, subverter o tempo e orientar quem de fato e com fé o louva.

Eepa Esú!

Laroye!

Mojùbá Èṣù!

K'Òba Laroyê Ėsù

Lààlúpo!

Ou simplesmente ALÚPÔ!

Nota: não precisamos de outra deidade de outras culturas acrescentada aos nossos ritos para louvar e interpretar o tempo, Exú Bará e seus homônimos tem esta prerrogativa desde sempre! Axé Odara!


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