És um senhor tão bonito / Quanto a cara do meu filho/Tempo, tempo, tempo, tempo[!] Composição: Caetano Veloso.
Há um ditado iorubá que diz: "Exu matou um pássaro ontem com uma pedra que só jogou hoje", este provérbio mítico é carregado de simbolismos e nos traz reflexões sobre o tempo, o espaço, a espiritualidade, a memória e à ancestralidade.
Pedindo agô/licença a Èṣù/Exú/Aluvaiá/PomboNjila/Elegua/Eleegbara, senhores de todos os caminhos, considerados o “oluwá onà”, o dono das encruzilhadas, o “elebó”, senhor do “ebó”, a boca que tudo come, a deidade que abre, principia os caminhos, instaura as possibilidades, desencadeia as oportunidades, o senhor do movimento e da comunicação.
Desmistificando ainda mais este ditado,
ele traz significados de que o esférico Èṣù/Exú:
... é o princípio, a força motriz de
Olorun, o qual não tem começo, nem meio e nem fim.
... em seus poderes e em seus mistérios
ele atravessa o tempo.
...nos ensina que as ações novas e
melhores de hoje podem reinventar o passado.
... nos orienta de que as lições e
acontecimentos pretéritos são recursos a serem resgatados e refletidos.
...nos inspira que é sábio reconhecer e recuperar o conhecimento ancestral para compreender, entender e melhorar o presente e poder prospectar o futuro.
Èṣù/Exú é a esfera que não tem início
nem fim, o giro, o movimento que elabora todas as oportunidades. A divindade
que deu forças aos antepassados para lutar e resistir contra a intolerância,
mantendo a cultura, os dogmas, os costumes e os fundamentos semeados pelos
nossos mais velhos, que devem ser colhidos e cultivados por nós.
Èṣù/Exú é o Orixá interlocutor entre Orun/Aiyê, o sagrado mensageiro dentre os demais Orixás, sem Èṣù/Exú o Orun não nos vê, não nos percebe e não nos ouve.
Vale muito referenciar Èṣù/Exú e lembrar sempre que ele é o senhor de todos os caminhos, de todos mesmo! Ele é capaz de reinventar lugares e memórias, ensinando a reinterpretar o que passou, subverter o tempo e orientar quem de fato e com fé o louva.
Eepa Esú!
Laroye!
Mojùbá Èṣù!
K'Òba Laroyê Ėsù
Lààlúpo!
Ou simplesmente ALÚPÔ!
Nota: não precisamos de outra deidade
de outras culturas acrescentada aos nossos ritos para louvar e interpretar o
tempo, Exú Bará e seus homônimos tem esta prerrogativa desde sempre! Axé Odara!



